sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Korah - À Glória! [PARTE I]

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Todo seu corpo doía. Graças a um milagre nenhum de seus ossos se partira, mas os hematomas ainda eram visíveis em seu corpo. A armadura destroçada, a espada embainhada, ao invés de ser ele que carregava o escudo, era seu objeto de proteção que o direcionava para frente. Olhos fundos e sombrios retratavam os vários dias que andava errante sem dormir, pois cada vez que o sono o alcançava vinham suas decepções e traições passadas. Que sina era enfrentada por este guerreiro.
Por mais que tivesse sido aconselhado a deixar aquela região ele persistiu e quis ficar no território da recém-formada Grécia. Passou alguns dias dormindo no porto, e lá ouviu falar de uma nova cidade que ainda buscava a estabilidade política. Assim partiu de Esparta para uma ilha mais ao sul chamada Rodes. 
Ao pararem no porto de Creta, ouviu a conversa entre dois homens falando sobre os perigos que aquela cidade onde se encaminhavam proporcionava. O maior e mais temido não era um animal, um grupo ou um ritual, mas sim uma mulher sem nome, apenas conhecida como Princesa Guerreira. Essa mulher reivindicava o trono dizendo que toda aquela região era de seus antecessores, e para recuperar o governo não media esforços para isso acontecer, por causa disso já havia 17 anos de conflitos. Korah guardava cada palavra com cuidado, pois sua pretensão era governar aquela região e ela seria um grande obstáculo se não fosse bem estudada.

Ao desembarcar ele resolveu reestruturar-se por completo. Recuperando suas armas, desfazendo aquela aparência de luto e revigorando suas forças. Na saída de Esparta ele havia guardado um saco com algumas moedas de ouro que os cidadãos jogaram nele ao verem naquela situação caótica e perceberem que ele não merecia estar assim. Era um encorajamento para recomeçar a vida. Esse dinheiro fazia com que ele se sustentasse por um tempo considerável. Entrou na cidade e se hospedou em uma pousada que lá estava, queria apenas descansar daquela viagem e recomeçar a vida.

Deitou para dormir no meio da tarde e só foi acordado com gritos e muito barulho no meio da noite. No impulso saiu da cama e foi até a janela que dava para o centro da cidade onde viu cerca de dez pessoas encapuzadas ateando fogo nos órgãos públicos, esquartejando alguns políticos, promovendo o terror com a população e fugindo para o bosque. Ele percebeu que ia ser difícil a situação, e por causa do acontecido o fez perder o resto da noite sem parar de pensar como seria a forma de entrar em paz com aqueles guerreiros selvagens e governar a cidade. Estipulando um plano que requeria tempo, coragem e muita sorte.

No outro dia não perdeu tempo e quem encontrava começava a dizer seu plano de forma bem camuflada. Ia ao restaurante almoçar, sentava-se próximo a alguém e puxava assunto até chegar ao ponto; pela tarde ia caminhar na praia e, como se fosse sem querer, contava seu plano para o outro; pela noite participava dos rituais religiosos locais e entre um e outro assunto relacionava seu pensamento. E o mais impressionante é que todos aqueles que ouviam concordavam e apoiavam, mesmo achando muito perigoso. O nome daquele guerreiro e sua proposta ousada foram passando de pessoa por pessoa até atingir os dois extremos: a classe que procurava entrar no poder e estabilizar a política, e a Princesa Guerreira. Tudo que ele queria.

Em determinado passeio pela praia, despercebido, ele foi apanhado e levado ao centro do senado onde se encontrava reunido à cúpula principal dos políticos da cidade, com cerca de 50 homens. Todos enraivecidos e buscando explicações por aquelas declarações que se espalhavam pelo meio do povo, e ganhava força a cada dia. Quando aqueles senhores se acalmaram de tanto acusá-lo de perturbar a ordem pública, ameaças de todos os tipos e os mais variados xingamentos, foi concedido direito à palavra. Ele olhou para cada um e disse apenas: "Meu plano se concluiu!" No mesmo instante cerca de cem guerreiros entram e começa uma luta sangrenta no meio daquele recinto. O senado tinha armas mais poderosas, mas o numeroso grupo guerreiro tinha maior quantidade e após um tempo, e muitos mortos, eles o resgataram e levaram ao seu esconderijo no meio da selva. Onde pôde conversar com a temida Princesa.

-Tenho ouvido o que quer estabelecer em nossa ilha. Muito perspicaz de sua parte. Antes de mata-lo dou o direito de explicar o que você pretendia com seu plano - Disse àquela mulher que por trás de um rosto belo e muitos súditos dispostos a dar sua vida em favor dela, guardava um temperamento seguro e fechado.
- Ao divulgar para todo o povo meu plano de em uma semana matar todos os políticos que tomaram à força o comando dessa ilha e enfraquecer seu exercito como nunca ninguém havia conseguido eu precisaria de ajuda de ambos os lados. Sabia que eles procurariam satisfação e tentariam tirar minha vida. Sabia também que você não daria esse prazer a eles e mandaria me buscar, mas para isso precisaria de uma força-tarefa preparada equipada com seus melhores guerreiros para lutar sem temor, sabendo que muitos não voltariam. Pois bem, estou aqui agora, e tudo que eu planejei aconteceu.
A princesa tão astuta havia caído em uma cilada pela primeira vez, e isso a encabulava, à medida que sua ira crescia por ter sido avisada antes e não ter percebido sua admiração por aquele forasteiro também. 

Korah continuou:
- Mas há algo que não revelei. Meu objetivo com isso. Sabia que não poderia governar com tantos corruptos ao lado, nem teria como pedir esse favor a ti. Agora nesse cenário, posso assumir e constitui-la como verdadeiramente és: a Herdeira do Trono. O que achas?
- Guerreiro Korah, nunca vi ninguém com tanta astúcia quanto você. Provou que merece assumir o poder. Governarás bem seu povo.
-Meu povo não. Nosso povo!

No dia 26 de outubro do mesmo ano Korah assumia o reinado da ilha de Rodes, conseguindo assim realizar seu sonho. Não acreditou quando viu toda a população prestando reverências a sua pessoa. Tudo que passou valeu como experiência para conquistar o lugar que chegou. Agora ele estava totalmente extasiado. 
E do poder, apenas a morte o separaria...
Será?


Filipe O. Concercio S.
Imagem: Reprodução/Internet

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